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Por que o macacão incomoda?
Por Dibatadié TV – Trincheiras de Ideias
Enquanto muitos meios de comunicação mantêm um silêncio estratégico — e por vezes cúmplice — diante dos claros sinais de degradação institucional, o Dibatadié TV assume a linha de frente, trazendo à tona vozes que desafiam o poder. É o caso da recente intervenção de Irina Diniz, deputada da UNITA e secretária adjunta da província de Luanda, cuja fala — retirada de um vídeo que neste momento está a esmagar a internet — causou forte impacto ao abordar, com coragem, o significado político de um simples macacão.
No vídeo, Irina Diniz discorre com clareza e firmeza sobre a escolha simbólica do vestuário que tem adotado — um macacão operário vermelho e verde, também usado por Adriano Sapinala, deputado e primeiro secretário provincial da UNITA em Luanda. Mais do que um ato de estilo, trata-se de um gesto carregado de intenção política e ideológica:
“O macacão representa o trabalhador que acorda cedo todos os dias para lutar pela sua sobrevivência. É o símbolo de quem não espera nada do governo, porque já entendeu que o sistema não está a seu favor”, declarou Diniz com veemência.
Para a deputada, o macacão passou a representar o povo real — o agricultor, o mecânico, o motorista, o operário da construção civil, o taxista — aqueles que não fazem parte dos gabinetes climatizados do poder, mas que constroem o país com as mãos: suadas, calejadas, invisibilizadas.
E é justamente por isso que incomoda. Porque esse macacão evidencia o contraste brutal entre a elite dirigente e os que vivem do seu próprio suor. Expõe a hipocrisia, o descolamento da classe política dominante, e quebra a fantasia de que só se pode representar o povo usando gravata e fato caro.
“Aqui também os rapazes usam gravata, eu uso vestido e casaco. Porque a luta também acontece dentro das instituições”, disse ela, numa clara alusão à presença activa da UNITA dentro do Parlamento e de outras esferas institucionais.
Essa afirmação amplia o debate. Irina Diniz não está apenas a defender a simbologia do macacão nas ruas — ela reafirma a legitimidade da presença popular dentro das estruturas do Estado, dentro do hemiciclo, dos comitês, das comissões. Representar o povo é possível sem se descaracterizar. Pelo contrário: a identidade popular é a principal arma.
Dibatadié TV denuncia o desconforto do poder com o símbolo do povo
Na continuidade do vídeo, Irina fala dos professores que continuam a dar aulas mesmo com salários em atraso, dos profissionais de saúde que salvam vidas em condições indignas, dos milhares de angolanos que continuam a acreditar na mudança, mesmo quando o sistema lhes vira as costas:
“É por essas pessoas que lutamos. A luta acontece de todas as formas, e onde for preciso.”
Essa declaração, veiculada no Dibatadié TV, tem sido amplamente partilhada e debatida nas redes sociais. O que poderia ser apenas uma fala institucional transformou-se num grito de resistência, num lembrete de que a luta não terminou — apenas mudou de campo.
O edifício na Samba: mais que paredes, um projeto de mobilização
Ao encerrar a sua intervenção, durante a inauguração de um comitê da UNITA nas Ingombotas, Irina Diniz deixou uma mensagem clara ao responsável que assumirá a liderança daquele espaço político. Uma mensagem forte, metafórica e carregada de sentido:
“Não olhe para este edifício como apenas um prédio. Quem dá vida aos prédios são as pessoas. Que este edifício se transforme numa máquina de mobilização até 2027.”
O ano de 2027 não é mencionado por acaso: trata-se do ano marcado para as próximas eleições gerais em Angola. O “edifício”, portanto, simboliza mais do que um local físico — é uma metáfora do engajamento político, da construção colectiva de uma alternativa ao poder atual e da mobilização como motor de transformação.
Aqui, o Dibatadié TV destaca a profundidade do discurso: Irina não fala apenas de pedras e cimento — fala de estratégia, fala de povo, fala de futuro.
Por que o macacão incomoda?
E a pergunta continua a ecoar: por que um simples macacão incomoda tanto?
Porque ele quebra protocolos, desafia estéticas de poder, desmonta a encenação da autoridade, rompe o teatro parlamentar tradicional. Porque ele lembra que a política não é privilégio de elites engravatadas — é direito de todos, inclusive do operário, do agricultor e da mulher angolana de carne e osso.
E talvez — só talvez — se o sistema está mesmo podre, o macacão seja o traje mais adequado para quem está disposto a entrar na lama e reconstruir o país com dignidade, transparência e coragem.
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