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A verdade nua foi dita na cara de todos
Lisete Manuel Gong e Ernesto Cassongo travam duelo político sobre a execução do Orçamento Geral do Estado de 2025
Luanda — Dibatadié TV. O Parlamento angolano foi palco, esta semana, de um confronto político sem gritos, mas com palavras afiadas como lâminas. De um lado, a deputada Lisete Manuel Gong, do MPLA, destacou os alegados sucessos do Executivo na execução do Orçamento Geral do Estado (OGE) do primeiro trimestre de 2025. Do outro, Ernesto Cassongo, deputado da UNITA, denunciou o que considera uma “grave desconexão” entre os dados apresentados e a realidade vivida pela maioria da população.
MPLA: “Não se pode confundir crítica com oportunismo”
Em sua intervenção, a deputada Lisete Gong abriu pedindo “três minutos adicionais” caso não conseguisse concluir, mas não precisou — sua mensagem foi incisiva e completa. Segundo a parlamentar, o Executivo “tem mostrado resultados concretos” com medidas como:
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Aumento de 25% nos salários da função pública;
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Elevação do salário mínimo de 32.000 para 60.000 kwanzas;
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Isenção do IRT para rendimentos até 60.000 kz;
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Redução da dívida pública interna e externa;
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Crescimento do PIB em 1,2% em termos reais;
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Redução do IVA para 14,5% nos produtos da cesta básica.
Num tom combativo, Gong criticou duramente os deputados da oposição que, segundo ela, “proferem palavras enganosas e mentiras para confundir a opinião pública”.
“Chegam a se colocar ao lado de manifestações para demonstrar solidariedade com o povo, mas não passam de lobos mascarados de ovelhas que apenas brincam com o sofrimento popular”, disparou, sob aplausos.
“O bom patriota honra a pátria, une-se ao povo e protege com dignidade o seu país. Não se apresenta como um ‘super-herói’ desviado da virtude.”
Gong destacou também o papel dos jovens no desenvolvimento nacional, citando o exemplo de um adolescente de 18 anos que trabalha sozinho numa fazenda:
“Cultiva tomate, pimento e salsa. Um exemplo claro de que a juventude está comprometida com o desenvolvimento do país.”
A deputada reafirmou que o MPLA aposta na qualificação, inovação, e acesso à tecnologia como motores para o crescimento económico.
UNITA: “No papel há progresso, mas o povo continua a sofrer”
Em resposta, o deputado Ernesto Cassongo, da UNITA, fez um discurso duro, acusando o Governo de maquilhar os números e ignorar o sofrimento real das populações.
“O relatório apresentado, embora tecnicamente detalhado, mostra-se notoriamente desconectado da realidade concreta vivida pelas famílias angolanas.”
Para Cassongo, o documento oficial “abunda em tabelas e números” mas falha naquilo que mais importa: impacto direto nas vidas das pessoas.
“Nos mercados e nas aldeias, o sofrimento continua. A pobreza ainda esmaga milhões de famílias. O desemprego atinge níveis alarmantes, especialmente entre os jovens.”
“As escolas continuam sem condições mínimas. Os hospitais carecem de medicamentos. As administrações locais estão paralisadas.”
O deputado considerou “inaceitável” a subida dos preços dos combustíveis, energia, água, transportes e propinas, num momento em que as famílias angolanas enfrentam grandes dificuldades.
“Este pronunciamento não é crítica pela crítica. É um alerta sério sobre como estamos a comprometer o futuro do nosso país.”
Cassongo apelou a uma mudança urgente de rumo, pedindo “execução orçamental com transparência, eficiência e justiça social”, além de uma fiscalização “real, independente e consequente”.
“A toupeira não tem visão, mas sozinha vê”, concluiu, citando um provérbio popular.
Entre factos e discursos: o que está em jogo?
O debate sobre a execução do OGE de 2025 revela dois Angolas: uma retratada pelos números oficiais e outra descrita pelas vozes da oposição. A tensão crescente entre o discurso institucional e a realidade das ruas promete dominar os próximos meses no xadrez político angolano.
Enquanto o Executivo defende os resultados e reforça o discurso de esperança, a oposição insiste em alertar para um fosso cada vez maior entre os indicadores macroeconómicos e a qualidade de vida real da população.
A questão que fica: qual Angola prevalecerá — a dos relatórios ou a das ruas?
Dibatadié TV – Informação que rasga o silêncio.
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