Explosão em Malanje: Greve dos Taxistas Transforma-se em Revolta Nacional



População exausta toma as ruas; há mortos, vandalismo e repressão em várias províncias

O terceiro e último dia da paralisação dos taxistas em Angola, esta quarta-feira (30), ficou marcado por uma explosão de revolta popular, com destaque para a província de Malanje, onde a cidade despertou em chamas. O protesto, que começou como um apelo por melhores condições de trabalho e preços justos nos transportes, degenerou em violência, repressão policial e gritos de desespero por todo o país.

Em Malanje, os bairros da Maxinde, Camoma, mercado da Chauande, estrada nacional 230, Ritontondo, Catepa, Vila e Carreira do Tiro, bem como o supermercado Nossa Casa, foram palco de barricadas, actos de vandalismo, pneus incendiados e confrontos com as autoridades. A população, esmagada pela carestia e pelo abandono, saiu à rua sem medo. As imagens são impactantes e revelam o grau de saturação social.

📺 Veja aqui o vídeo exclusivo com cenas dos protestos em Malanje:
👉 https://youtu.be/kPbfWqhr8dk?si=q3gs_XvRwpXpwOXp

Luanda: Mortos, vandalismo e repressão nos municípios e bairros

Na capital, a situação foi igualmente grave. Apesar de zonas como o Zango registarem uma adesão parcial à paralisação, foi nos municípios do Cazenga, Viana e Sambizanga que se verificaram os episódios mais críticos, com manifestações, bloqueios e confrontos intensos.

Entre os bairros mais afectados, destacam-se:
Rocha Pinto, Padaria e Moagem, Benfica, Camama, Golf 1 e 2, Cacequel do Buraco e zona do Lourenço.

No bairro da Caop (Viana), uma senhora foi atingida mortalmente por disparos da polícia quando tentava ir buscar o seu filho adolescente. No mesmo bairro, outro cidadão também perdeu a vida. A resposta violenta das forças de segurança tem gerado revolta e tensão nas comunidades.

Subida abusiva dos transportes: o estopim da revolta


O principal motivo da fúria popular é a subida abrupta dos preços dos transportes públicos, sem qualquer justificação plausível:

Táxis (azul e branco): de 150 Kz para 200 Kz, e agora para 300 Kz

Autocarros públicos: de 50 Kz para 100 Kz, e agora para 200 Kz

A população exige o regresso aos preços anteriores ou, no mínimo, uma explicação racional. A indignação intensificou-se após notícias de que o Estado teria gasto milhares de milhões de kwanzas para trazer Lionel Messi e a selecção da Argentina a Angola, para um jogo de apenas 90 minutos.

 “Enquanto o povo morre à fome e sem transporte, o regime festeja com os bilionários do futebol?”, questionam vários cidadãos nas ruas.

Angola à beira de uma ruptura social?

O que se passa nas ruas é mais do que um protesto pelos transportes — é um grito colectivo contra a miséria, a repressão e o desgoverno. A greve transformou-se em revolta. A revolta, em confronto. E este confronto pode escalar para uma crise política incontrolável.

O Dibatadié TV continuará a acompanhar o desenrolar da situação em tempo real.

🔴 Assista ao vídeo completo com imagens dos protestos em Malanje:
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