João Lourenço Quer Golpe à Moda de 1977 — Raul Diniz



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Raul Diniz acusa o regime: “João Lourenço quer fabricar o caos para decretar Estado de Sítio”

A repressão contra os taxistas em Luanda, esta semana, não foi um acaso isolado. Foi uma operação montada, articulada, com objetivos políticos muito claros — é isso que denuncia Raul Diniz, veterano da política angolana, num discurso que está a incendiar as redes sociais.

O Dibatadié TV analisou cada linha da sua intervenção e conclui: há sinais de que o regime está, de facto, a fabricar o caos para justificar a imposição de um Estado de Sítio.

No momento em que o país clama por reformas sérias e justiça social, João Lourenço opta pelo velho manual da intimidação. Raul Diniz acusa o Presidente de destruir o que restava da democracia interna do MPLA, de manipular protestos legítimos para incriminar os próprios cidadãos, e de planear uma nova farsa eleitoral para 2027 — com o apoio de uma polícia transformada em instrumento de saque e repressão.

"Nem o próprio MPLA está com ele", afirma Diniz.
"Tragam os polícias que quiserem. Nós não vamos aceitar eleições forjadas."

É um discurso duro, certeiro e sem rodeios. E é precisamente por isso que o Dibatadié TV publica agora, sem cortes, a declaração na íntegra. Porque Angola merece saber toda a verdade, sem filtros.


Discurso completo de Raul Diniz:

“Minhas senhoras e meus senhores, distintos jovens, prezados taxistas, grevistas e manifestantes,
Os meus cumprimentos a todos.

Eu sou Raul Diniz.

Acabámos de assistir hoje a um espetáculo — porque teve o desfecho que teve, porque as forças de segurança assim o provocaram. Tudo o que vimos a acontecer foi de tal maneira forçado, que não existia, de facto, nenhuma justificação para que uma greve decretada pelos taxistas fosse tratada com tal repressão.

A greve, supostamente, visava apenas paralisar os táxis. Mas o que vimos foi a polícia nas ruas. A polícia começou a saltar em cima das pessoas, juntamente com indivíduos que surgiram subitamente nos locais onde, curiosamente, o grosso da polícia não estava presente.

Nunca vi uma manifestação com apenas 30 ou 40 pessoas, sem que a polícia estivesse presente em força. Não é compreensível que, nas manifestações que aconteceram ontem, tenha havido violência e saques praticados por pessoas em coordenação com a polícia e com os serviços. Isso foi feito para provocar aquilo que muitos de nós temos denunciado há anos.

É evidente que nós não vamos deixar que isso passe impunemente. O isolado Estado de Sítio que João Lourenço quer decretar é apenas o último recurso para se manter no poder. Num país sério, ele nem sequer seria presidente, porque não teve votos suficientes. Ainda assim, é presidente, e nós suportamos esta carga.

Aceitámos que ele fosse presidente para evitar tumultos que poderiam resultar em assassinatos. Mas não é admissível que agora saiam alguns jovens para partir lojas, roubar equipamentos e comida. É evidente que o povo está insatisfeito.

E mais grave ainda: enquanto uns roubavam, outros — incluindo polícias — também saqueavam produtos de lojas. Vimos isso na rotunda do Camama. A polícia que devia proteger os cidadãos estava a roubar como os marginais.

É o Estado que rouba. É o polícia que rouba. É o cidadão que rouba o cidadão.

Não há nenhuma justificação para que o MPLA esfregue as mãos de contente e venha decretar um Estado de Sítio.

Nosso conflito não é para agora. O nosso confronto com o governo e com João Lourenço está marcado para 2027.
Aí sim, vamos ver quem é quem. Tragam os polícias que quiserem. Façam o que quiserem.
Nós não vamos aceitar resultados forjados, nem eleições manipuladas.

Não vamos aceitar que o indicado para presidente seja alguém que nem sequer consegue conduzir o seu próprio partido à democracia interna — com eleições verdadeiras, com múltiplas candidaturas. Agora querem vir indicar um “qualquer”, como se fossem donos disto tudo.

Ele, João Lourenço, disse que não deixaria o poder a um qualquer. Mas foi exatamente isso que o ex-presidente José Eduardo dos Santos fez: deixou-nos com um qualquer na presidência — um homem que destruiu toda a estrutura institucional que existia, que destruiu a democracia, que nos fez recuar aos tempos de 1977!

Estão a tentar ensaiar mais uma vez a encenação do "golpe de Estado", como fizeram em 1977. Mas não houve golpe nenhum! Querem repetir essa farsa? Não vão conseguir.

Querem repetir 1992? Não vão conseguir.

Querem repetir 2002? Também não vão conseguir!

Porque José Eduardo dos Santos houve só um. Não há dois. Ele tinha o povo com ele. Já João Lourenço não tem povo nenhum!

Nem o próprio MPLA está com ele, porque ele comprou a estrutura do partido com promessas de emprego.
Mas nem mesmo isso garantiu apoio interno verdadeiro.

O que se exige agora, no mínimo, é democratização interna no partido. E, sobretudo, eleições com múltiplas candidaturas.

Não podemos ficar em silêncio!

Tudo isto eu já tinha avisado durante as eleições: se não nos demarcássemos de João Lourenço e dos seus aliados, iríamos atravessar “as passas do Algarve”.
E é exatamente isso que está a acontecer agora.

O objetivo de tudo isto é preparar o terreno para decretar o Estado de Sítio.

Mas agora ficou muito mais difícil: o aval que ele tentou buscar em Portugal, para depois convencer o mundo exterior — Europa e Estados Unidos — a aceitá-lo com esse Estado de Sítio, já está comprometido.

Porque a segunda maior força política de Portugal já não são socialistas.
O arco da governação foi transformado pelo poder do povo, através do voto direto.
E nós também queremos isso em Angola!

Porque o MPLA não será a primeira força política em 2027.
Temos que entender que os esforços deles vão falhar.

Angola precisa de traçar um novo caminho. Um caminho diferente do que o MPLA traçou nestes 50 anos.
Angola precisa evoluir.

Governar não é apenas mandar: é tomar decisões para construir escolas, investir nos hospitais, garantir qualidade de vida, dar alimentação condigna, educação, saúde e dignidade ao povo.

Isso não está a acontecer!

Governar é dialogar, é criar pontes, não é planear golpes de Estado administrativos para continuar a governar contra o povo.

Não podemos permitir!

Por outro lado, os jovens que hoje estão alinhados com o governo do MPLA têm que perceber: sair à rua para protestar é legítimo.
Fazer caminhadas é legítimo.

Mas fazer o jogo do inimigo, fazer o jogo do adversário, para que ele continue no poder — isso não pode estar nos cálculos da nossa população.

Eu sou Raul Diniz.
Tenho dito.

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