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📰 MAPUTO – Dibatadié TV – 22 de Julho de 2025
Oposição denuncia fracasso da mediação com apoio do Papa e apela à resistência contra "regime ilegítimo"
O político moçambicano Venâncio Mondlane, um dos principais rostos da oposição no país, anunciou nesta segunda-feira (22) o fim do processo negocial com Daniel Chapo, atual Presidente da República, e declarou ilegítimos todos os resultados das eleições de 2024, incluindo o próprio mandato presidencial.
A declaração, feita em tom solene e incisivo, revela os bastidores de dois encontros secretos de alto nível entre Mondlane e Chapo, mediados por líderes religiosos nacionais e por representantes da Santa Sé. Segundo Mondlane, o objetivo era encontrar uma saída pacífica para a crise pós-eleitoral que se arrasta desde outubro de 2024, quando as eleições foram marcadas por denúncias generalizadas de fraude, repressão e manipulação dos resultados.
“A 23 de março e a 20 de maio, reunimo-nos em sessões discretas com a presença de figuras de peso da sociedade moçambicana e de um enviado do Papa Francisco. Acordámos seis pontos claros para viabilizar uma transição negociada. Mas o regime faltou com a palavra”, afirmou Mondlane.
Os seis pontos do acordo ignorado
De acordo com o líder opositor, o acordo negociado incluía:
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Reconhecimento formal da fraude eleitoral nas eleições de 2024;
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Anulação dos mandatos de Daniel Chapo e dos deputados eleitos nesse processo;
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Criação de um Governo de transição com duração de 18 meses, liderado por um presidente de consenso;
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Marcação de novas eleições livres e transparentes até junho de 2026;
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Regresso seguro de Venâncio Mondlane a Moçambique e reintegração nas suas funções políticas;
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Libertação de todos os presos políticos e cancelamento de processos judiciais com motivação política.
Esses compromissos, segundo Mondlane, teriam sido assinados na presença de líderes religiosos como Dom Clímaco da Silva (Conselho Cristão de Moçambique), Dom Francisco Chimoio (Conferência Episcopal), Sheikh Aminuddin Mohamad (Congresso Islâmico), e Monsenhor João Carlos Hatoa Nunes, representante direto do Papa.
No entanto, nenhuma das cláusulas teria sido cumprida. Estava prevista uma terceira reunião com mediação internacional — incluindo ONU, União Africana, CPLP, União Europeia e Vaticano — entre os dias 10 e 15 de junho, mas Daniel Chapo não compareceu e não manteve contactos.
"Regime ilegítimo" e apelo à mobilização nacional
Face ao impasse, Venâncio Mondlane declarou publicamente:
“Considero rompido o processo negocial com Daniel Chapo e fracassada a tentativa de transição pacífica. O atual Governo é ilegítimo. Retomarei plenamente as minhas funções políticas, e apelo à resistência democrática em todo o país.”
O líder da oposição exigiu ainda a libertação imediata de todos os presos políticos e convocou a população a manter-se “mobilizada, vigilante e disponível para todas as formas de resistência cívica”.
A retórica endurecida surge num momento de crescente tensão nacional, com relatos de perseguições, detenções arbitrárias e repressão a manifestações em várias províncias. Ao rejeitar publicamente qualquer legitimidade de Chapo, Mondlane projeta o país para um novo ciclo de instabilidade política, com possíveis repercussões sociais e diplomáticas.
Reações ainda são aguardadas
Até o momento, o Governo moçambicano não se pronunciou sobre as acusações. A comunidade internacional também mantém silêncio, embora fontes próximas ao Vaticano e à União Africana confirmem a existência dos esforços de mediação descritos.
O Dibatadié TV continuará a acompanhar de perto o desenrolar dos acontecimentos, dando voz à verdade, à justiça e aos protagonistas que moldam o futuro de Moçambique.
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