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"Se João Lourenço impuser uma sucessão fora do controlo militar, haverá golpe", alerta o analista político Abdu Ferraz, que vê o partido à beira de uma fractura.
Luanda – Dibatadié TV — Em declarações contundentes enviadas em áudio ao canal Dibatadié TV, o analista político Abdu Ferraz alertou para uma possível desintegração interna do MPLA caso o Presidente João Lourenço avance com determinadas escolhas para sua sucessão. Ferraz vê no cenário actual um risco real de insurreição e múltiplas frentes de golpe de Estado, caso o partido tente forçar uma transição fora dos quadros tradicionais de poder.
“Essa ideia é infundada. Eu já olhei esse João Lourenço. Ele não é burro, como muitas pessoas falam por aí. Ele não é burro”, afirmou, ao rebater a hipótese de o Presidente apoiar uma jovem mulher como sua sucessora. “Isso é de uma ingenuidade que não pode ser atribuída a João Lourenço.”
Segundo Ferraz, o que está em jogo não é apenas a estabilidade da República, mas a própria segurança pessoal do chefe de Estado.
“O que está em jogo é a segurança de João Lourenço. Assim como esteve em jogo a segurança de José Eduardo dos Santos. Só que ele falhou. Eduardo dos Santos falhou. E João Lourenço também pode falhar.”
Ferraz recorda que, no auge das tensões internas do partido, o ex-Presidente José Eduardo dos Santos teria nomeado João Lourenço como ministro da Defesa com o objectivo de equilibrar os poderes dominados por generais influentes como Kopelipa e José Maria.
“Era mais pela segurança dele próprio, de Eduardo dos Santos, colocar alguém que não fosse do grupo dos grandes mafiosos.”
Ferraz rejeita completamente a ideia de uma sucessora mulher no actual contexto político angolano. Para ele, uma decisão dessas resultaria num colapso político total.
“É tão infantil, que não haveria eleições. Se João Lourenço põe uma jovem mulher, não haveria eleições. Só tem uma condição para ele colocar uma jovem mulher: teria que comprar — mas comprar mesmo — mais de 16 angolanos. Um bilhão de dólares para o fulano, outro bilhão para o sicrano...”
Ainda de acordo com Ferraz, sem esse tipo de operação financeira “colossal”, haveria reacções internas incontroláveis.
“Fora disso, haverá, no mínimo, seis frentes de golpe de Estado. Seis frentes totalmente autônomas, não conjugadas. Seis indivíduos com intenção de ser presidentes por golpe de Estado. O MPLA vai desintegrar-se. Vai ao farelo. Vai virar pó.”
Ao comentar os possíveis nomes para suceder João Lourenço, Ferraz menciona o general Higino Carneiro e o general Miala como figuras centrais na equação.
“A candidatura de Higino Carneiro é uma das que pode salvar o MPLA. Não estou a dizer que seja boa para o país — porque Higino Carneiro seria um péssimo presidente. Seria um desastre. Mas, do ponto de vista da continuidade do MPLA, permitiria a continuidade.”
Sobre Miala, Ferraz destaca que sua ascensão ao poder garantiria a preservação do núcleo duro da segurança do Estado, bem como a própria integridade de João Lourenço.
“A candidatura do Miala tira o risco de golpe de Estado, põe no lugar o aparelho de Estado da segurança, e salvaguarda a integridade de João Lourenço. Aliás, o Miala salvaguarda-se também.”
E acrescenta:
“O único presidente que não leva o Miala à desgraça é João Lourenço. E o único que João Lourenço não leva à desgraça é o Miala, porque estão interligados por serviço, por cumplicidade, por serviços prestados.”
As declarações de Abdu Ferraz abrem um novo capítulo no debate sobre a sucessão no MPLA e levantam sérias preocupações sobre a estabilidade política em Angola.
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