Polêmica e confrontos marcam sessão da Assembleia Nacional

 

Deputado Sapinãla acusa Executivo de distorcer realidade social diante de indicadores económicos positivos

Luanda – Dibatadié TV | Julho 2025 

 A sessão plenária da Assembleia Nacional realizada no primeiro trimestre de 2025 foi marcada por momentos de tensão política, pontos de ordem e trocas de acusações entre deputados das bancadas da UNITA e do MPLA. O destaque ficou por conta da intervenção do deputado Adriano Abel Sapinãla (UNITA), que confrontou o Executivo sobre a divergência entre os dados macroeconómicos apresentados e a realidade vivida pelas famílias angolanas.

Segundo Sapinãla, o relatório de execução financeira do primeiro trimestre — que aponta superávits e crescimento económico de 3,3%, com o barril de petróleo acima da previsão inicial — ignora o impacto direto sobre a qualidade de vida da população. “O preço dos combustíveis, dos transportes, da cesta básica e até das propinas escolares aumentaram. Se o país está a crescer, por que razão a vida dos cidadãos piora?”, questionou o deputado, recebendo aplausos da sua bancada.

A sessão também foi marcada por um momento de defesa política: Sapinãla apresentou documentos trocados entre os grupos parlamentares da UNITA e do MPLA. Ele denunciou o desinteresse da bancada do partido no poder em estabelecer diálogo político antes dos debates especializados. A apresentação dos documentos provocou interrupções constantes por parte da bancada do MPLA, que acusou Sapinãla de fugir do ponto da ordem do dia.

🔴 "Angola cor-de-rosa vs Angola real"

A crítica mais contundente veio ao final da intervenção, quando Sapinãla afirmou que o Executivo constrói uma imagem fictícia de Angola voltada ao exterior — o que classificou como “visão pirotécnica” — enquanto, segundo ele, o povo vive sob sacrifícios profundos e procura sustento nos contentores de lixo. “Os relatórios são mais fantasiosos do que reais”, disse.

Para o deputado, o excesso de propaganda governamental esvazia o papel do Parlamento como órgão fiscalizador e representativo. “A maioria parlamentar não quer ouvir ideias contrárias. Isso sufoca a missão dos deputados e compromete a democracia”.

📊 Divergência de leitura económica

O relatório do Executivo aponta indicadores positivos: crescimento económico de 3,3% conforme o FMI, preço do barril de petróleo em alta, e superávit fiscal. Porém, a oposição argumenta que esses dados não geram benefícios práticos para os cidadãos — e levantam dúvidas sobre a distribuição dos recursos.

“A diferença positiva na venda do barril devia ser usada para aliviar o cidadão. Mas o que se vê é austeridade, aumento de preços e silêncio sobre onde está o dinheiro", insistiu Sapinãla.

🗣️ Repercussão e protestos

A sessão encerrou com protestos da bancada da UNITA sobre o tratamento desigual dado pela cobertura oficial da Assembleia Nacional, que segundo o deputado, teria filmado apenas a bancada do MPLA durante momentos de contestação, ignorando deliberadamente os manifestantes da oposição.

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