A Ilusão do Anonimato Digital: O Caso da Página “Joana Clementina”


 
Nos últimos tempos, tenho recebido mensagens, sobretudo de militantes e simpatizantes do MPLA, a questionar: “Quem está por trás da página Joana Clementina?” e “Será possível rastrear essa pessoa?”. Diante da insistência, decidi escrever publicamente, em vez de responder de forma privada a cada um.

Quero ser muito claro desde o início: eu, JHM, CEO do Dibatadié TV, não pratico crimes digitais, nem incentivo a perseguição pessoal contra ninguém. O meu compromisso é com a informação e com a análise crítica da realidade. No entanto, é fundamental explicar como funcionam as ferramentas digitais para que todos compreendam uma verdade simples: ninguém na internet está realmente invisível.

A máscara digital


O responsável pela página “Joana Clementina” tenta criar a imagem de anonimato. Usa supostas localizações falsas, dá a entender que publica de Singapura, Indonésia ou de qualquer outro canto distante. Pode usar VPNs, proxies ou até softwares mais avançados para mascarar o endereço de IP.

Mas quem conhece o funcionamento das plataformas digitais sabe que isso não passa de uma ilusão temporária. A cada clique, a cada login, ficam registados metadados que não se apagam.

O que o Facebook sabe


O Facebook (ou Meta, a sua empresa-mãe), através de sistemas de inteligência artificial e análise avançada de dados, tem acesso a informações que vão muito além do simples IP. Em relatórios oficiais entregues mediante solicitação governamental, podem aparecer dados como:

Número de vezes em que o utilizador mudou de IP para tentar enganar o sistema.

Lista de navegadores utilizados (Firefox, Brave, Chrome, Edge, Safari, etc.).

Identificação dos dispositivos usados para aceder à conta (marca do telefone, modelo do computador, sistema operativo).

Velocidade de conexão e variações anormais que indicam uso de VPN.

Quantas pessoas acedem ao mesmo perfil ao mesmo tempo, para simular maior atividade.

Horários de login e publicação, revelando o fuso horário real do utilizador.

Geolocalização aproximada cruzada com os hábitos de navegação.


Esses dados, conhecidos como metadados, são infinitamente mais valiosos do que o simples IP. São processados por algoritmos de rastreamento que cruzam padrões, e não podem ser mascarados por muito tempo.
 

Quatro cliques


Quando existe interesse real por parte das autoridades, o processo é rápido: o Ministério do Interior solicita oficialmente os dados ao Facebook, e em poucas horas ou dias, recebe um relatório completo. O mito de que é impossível identificar quem está por trás de um perfil cai por terra em “quatro cliques”.

O silêncio das autoridades

A grande pergunta que muitos fazem é: “Como é possível a página atacar constantemente o sistema e não acontecer nada?”.
A resposta é simples: ou quem está por trás da página conta com proteção de alguma ala interna do próprio sistema, ou está a cumprir uma agenda paga, que interessa a determinados setores. Porque, se houvesse vontade política, já não haveria mistério nenhum.

O meu recado

 
Reforço a minha posição: eu, JHM, não pratico nem apoio crimes digitais. Não é meu papel perseguir perfis ou rastrear pessoas. A minha missão é informar e analisar.

No entanto, deixo aqui um recado claro: a internet não é terra sem dono. A cada clique, um rastro é deixado. E quem hoje se esconde atrás de perfis falsos deve saber que mais cedo ou mais tarde a máscara cai.

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