Entre o medo e a fome: o apelo duro de Jael de Freitas | Dibatadié TV

Entre o medo e a fome: o apelo duro de Jael de Freitas

Por DIBATADIÉ TV — análise e reportagem

Jael de Freitas a discursar, usando boina vermelha e fardamento
Jael de Freitas durante intervenção pública. Foto: Dibatadié TV

No coração das ruas de Luanda ecoou uma voz que rompeu o silêncio da resignação. Jael de Freitas fez um apelo contundente sobre a condição humana em Angola — uma realidade marcada pelo medo, pela fome e pela perda do sentido de dignidade.

Durante a sua intervenção, Jael falou em nome dos esquecidos, daqueles que vivem à margem do progresso e do pão que falta à mesa de milhões. Denunciou o trabalho desvalorizado, a corrupção sistémica e a indiferença de instituições que deveriam proteger o cidadão.

“Vivemos num país onde o medo se tornou ferramenta de governo e a fome, a arma da submissão”, afirmou Jael, num tom carregado de frustração e de esperança. A afirmação resume um diagnóstico: a dignidade do trabalho foi substituída por migalhas que humilham; a cidadania é reduzida à obediência.

A sua crítica estende-se ao sistema de justiça e à Constituição. Jael denuncia uma ordem normativa frequentemente moldada à medida de quem detém o poder — revisões constitucionais utilizadas para consolidar interesses e não para corrigir desigualdades. Nesse contexto, a lentidão e a parcialidade dos tribunais transformam prisões preventivas em punições de facto, agravando a injustiça social.

A terceira dimensão do seu discurso é profundamente humana: a denúncia da violência do Estado. Jael evocou casos de cidadãos mortos e repressão policial sobrecitada — episódios que, para ele, revelam uma cultura de impunidade e desrespeito pelos direitos fundamentais à vida e à liberdade.

Para Jael de Freitas, dignidade, justiça e liberdade são indissociáveis. Não existe dignidade sem justiça, nem justiça sem liberdade. Sem estas três, o Estado perde o direito moral de se afirmar democrático. A sua fala funciona, portanto, como um convite à responsabilização institucional e à mobilização cívica.

O apelo é claro: o verdadeiro patriotismo não é o aplauso fácil ao poder, mas a coragem de exigir a verdade e a justiça. Se Angola pretende amadurecer, precisa começar por reconhecer a dignidade do cidadão como termómetro da democracia.

Produção: DIBATADIÉ TV
Direção e Apresentação: JHM – José Hebo Muquichi
Investigação e Pesquisa de Material: Equipa Dibatadié
Fontes consultadas:
– Declarações públicas de Jael de Freitas
– Cobertura editorial da DIBATADIÉ TV sobre justiça social em Angola

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