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Publicado por DIBATADIÉ TV
Data: 20 de Outubro de 2025
Num vídeo recentemente publicado no canal DIBATADIÉ TV (ver no YouTube), o deputado Adriano Abel Sapiñala denunciou o estado de degradação em que se encontra o Estádio do União da Catumbela, na província de Benguela. O local, que outrora foi símbolo de orgulho local, hoje é um retrato do abandono e da má gestão das infraestruturas públicas em Angola.
⚠️ Um investimento esquecido
Situado no coração da Catumbela, o estádio foi construído para servir de casa ao histórico União Desportiva e Recreativa da Catumbela, fundado em 1905 e considerado um dos clubes mais antigos do país. A sua requalificação, concluída por volta de 2005, absorveu recursos significativos do erário público, sob a promessa de revitalizar o desporto na região.
Passadas duas décadas, o cenário é desolador: o relvado transformou-se em capim, as bancadas estão vandalizadas, as torres de iluminação deixaram de funcionar e os balneários colapsaram. “É um grande desperdício do dinheiro público”, lamentou Sapiñala, que expressou profunda indignação perante o que descreveu como mais um exemplo de irresponsabilidade administrativa.
🌀 O ciclo da construção e do abandono
O caso da Catumbela não é isolado. Segundo o parlamentar, “já falámos do estádio do Ombaka, que foi alvo de roubo de geradores, e do estádio do Lubango, que também se encontra ao abandono. É o mesmo filme a repetir-se”.
De acordo com dados do Ministério da Juventude e Desportos, Angola possui mais de 30 campos e pavilhões desportivos com algum nível de inatividade. O problema é estrutural: falta uma política de gestão sustentável que assegure manutenção e rentabilidade após as inaugurações. O estádio da Catumbela, por exemplo, nunca chegou a consolidar-se como um verdadeiro polo desportivo regional. Nenhuma seleção nacional jogou ali oficialmente, e as competições realizadas foram apenas torneios locais, incapazes de gerar receita para a sua conservação.
🧱 Sinais de um Estado inoperante
Durante a visita, Sapiñala encontrou bancos partidos, cabos arrancados e ferragens expostas. O recinto tornou-se alvo de vandalismo e roubo de materiais. “Não há fornecimento de energia nem de água. O sistema de irrigação está paralisado. Até as torres de iluminação perderam a funcionalidade. Isto é o retrato da irresponsabilidade administrativa”, criticou o deputado, exigindo medidas concretas das autoridades competentes.
O vídeo divulgado pela DIBATADIÉ TV reforça visualmente a gravidade da situação, mostrando imagens do estádio em total estado de abandono e contrastando com o investimento público que outrora sustentou a sua requalificação.
👥 O peso da negligência
O abandono de infraestruturas desportivas como a do União da Catumbela tem consequências que vão muito além da estética urbana. Representa uma perda social e cultural, pois retira à juventude local um espaço de desenvolvimento e integração. Benguela, uma das províncias com maior tradição no futebol angolano, assiste agora ao colapso dos seus clubes e à desertificação dos seus campos.
Em termos económicos, a degradação traduz-se em desperdício. Especialistas estimam que recuperar um campo nestas condições pode custar mais de 300 milhões de kwanzas — quase o triplo do valor necessário caso houvesse manutenção preventiva anual.
📢 Apelo à responsabilidade
No seu discurso, Sapiñala apelou à intervenção urgente das autoridades centrais e locais, defendendo que se ponha fim ao “desperdício crónico de fundos públicos”. Sublinhou ainda que preservar infraestruturas não é gasto, é investimento estratégico. “É preciso parar de construir para depois abandonar. Temos de gerir com responsabilidade o que já foi feito”, reforçou.
O caso do Estádio do União da Catumbela é um microcosmo da ineficiência do Estado angolano. O foco político permanece nas inaugurações, mas ignora-se a sustentabilidade. O resultado é um ciclo vicioso: obras novas que envelhecem precocemente, seguidas de novos gastos para reconstruir o que foi destruído pela negligência.
🏁 Entre o passado e o futuro
Mais do que ruínas, o Estádio da Catumbela guarda memórias vivas. Foi ali que gerações inteiras vibraram com os jogos do União, um dos clubes pioneiros do futebol nacional. Hoje, essas vozes ecoam apenas no silêncio das bancadas vazias — um silêncio que denuncia não só o abandono de uma infraestrutura, mas também a perda simbólica de um pedaço da história de Angola.
Ao encerrar a sua visita, o deputado deixou uma mensagem clara: “Não basta lamentar. É preciso agir. Esta não é apenas a história de um estádio — é a história de como tratamos o nosso próprio património.”
Conclusão
O Estádio do União da Catumbela, outrora símbolo de orgulho provincial, tornou-se o espelho do abandono estatal e da má gestão pública. A denúncia do deputado Adriano Abel Sapiñala vai além do desporto — é um alerta para a crise de valores administrativos que impede Angola de consolidar as suas conquistas materiais. A recuperação do estádio não depende apenas de cimento e tinta, mas de uma mudança de mentalidade que devolva ao país a capacidade de preservar o que constrói.
Produção: DIBATADIÉ TV
Direção e Apresentação: JHM – José Hebo Muquichi
Investigação e Redação: Equipa Dibatadié
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